Novos escritores
Sim, eles continuam aparecendo. Sim, eles continuam querendo romper o bloqueio. Se a barreira já existia quando as Edições K chegaram, na segunda edição da Flip, onde tudo ainda era um campo fértil e as fronteiras apenas começavam a ser delimitadas, agora elas são bem pronunciadas: há panelas bem definidas, há núcleos geracionais, há bolsões de escritores, há cooperativas, há os rebeldes (tanto com causa como sem causa nenhuma), há aqueles que circulam por todos os círculos e há aqueles que queriam que não houvesse panelas (alguém aí pensou em woks?). Pois, ainda assim, eles estão vindo. Desde gente que ainda está começando a mostrar publicamente os seus textos, como o Ghad, até gente que já se publicou, como o Emerson Wiskow, que, se já estreou recentemente pela Bagatelas!, resolveu dar um passo mais ousado e disponibilizou outro livro, Ovos de Touro, para download direto, neste link. Muita gente boa tem descoberto os prazeres e vantagens proporcionados pelas licenças Creative Commons, aliás. No Overmundo você encontra uma seção inteira só com exemplares literários em CC (tem muita coisa de nível bem baixo, concordo, mas um garimpo se faz necessário; afinal são mais de 6000 textos e/ou livros). A Mojo Books, neste fim-de-semana, chegou ao inacreditável número de 50 edições em menos de um ano de existência (e, contando as edições bilíngües e os quatro livros especiais do Tim Festival, este número pula para 55), o que a torna, sem nenhuma sombra de dúvida, a nova editora brasileira com maior atividade em 2007 – o que fica ainda mais impressionante quando se pensa que todos os livros são distribuídos gratuitamente, com tratamento gráfico profissional e apresentando em suas páginas tanto grandes revelações, como Antonio Xerxenesky e Rodolfo Bonamigo, quanto nomes já badalados na nova cena, como Mariel Reis, Andrea del Fuego e Simone Campos. São sinais.
Mas e o depois? Como é cair nos diferentes tipos de mainstream existentes para o mercado literário? Existem os escritores que continuam os mesmos (bem, talvez com menos tempo) após o ingresso numa grande editora. Outros (a maioria) ficam inflados pelo ego. Alguns admitem friamente estarem nessa pela grana (e, nisso, são de uma honestidade que quase me emociona). Tem gente que usa tal influência para finalmente se sentir parte de um grupo ou panela (e a aceitação social, meus caros, é algo que ainda faz uma pessoa matar). E alguns não vão suportar a pressão e sucumbirão. Em que ponto dessa balança maluca cada um vai se encaixar?
Porque, hoje em dia, surgir é fácil. Mas, por causa disso, o dia seguinte já são elas.

